Híbrido, o i8 tem dois motores. O elétrico é capaz de gerar 131 cv, enquanto o propulsor de três cilindros turbo, de 1.5 litro, se encarrega dos os outros 231 cv. Além dos 59 anos, são 8 cilindros e 2.5 litros de diferença entre o alemão e o italiano.
Se eles disputassem uma prova de aceleração de 0 a 100 km/h, o i8 alcançaria a marca em 4,4 segundos, 2,3 segundos antes do Miura, de acordo com dados das fábricas.
Para poucos
Para avaliar o BMW i8, o G1 viajou até Miami, nos Estados Unidos, onde guiou o modelo por cerca de 70 km, em trechos urbanos e de estrada.
Lançado em junho de 2014, o i8 chegou ao Brasil em setembro, vendido sob encomenda em 10 concessionárias do país por R$ 799.950 -mais caro que a versão mais luxuosa do Jaguar F-Type, a Coupé R, por exemplo.
O modelo faz parte da submarca i da BMW, voltada para veículos ecologicamente corretos – que também conta com o compacto elétrico i3. De acordo com a empresa, já foram vendidas 5 unidades do i8 no Brasil.
Disponibilizar a linha BMW i em poucas concessionárias faz parte da estratégia da montadora. “Tivemos que preparar a rede para receber a marca i e também para atender aos carros”, diz Carlos Cortes, gerente sênior da BMW i. Funcionários de revendas foram para a Alemanha receber treinamento para lidar com materiais como fibra de carbono e termoplástico. Sem divulgar valores, Cortes afirmou que o custo de reparo do i8 é “compatível com o preço do carro”.
Como funciona
Cada motor do i8 está posicionado em um eixo. Na dianteira, o propulsor elétrico, enquanto o motor a combustão fica na parte central-traseira. Eles podem ser acionados simultaneamente ou de forma independente. Isso significa que a tração pode ser dianteira, traseira ou integral.
Há quatro modos de condução. No mais “verde" deles, eDrive, o veículo utiliza apenas o motor elétrico, enviando a força apenas para as rodas dianteiras. É possível rodar a até 120 km/h apenas com eletricidade. Dessa forma, o esportivo não emite poluentes e não há ruído – ouve-se apenas o atrito dos pneus com o solo.
No modo Eco Pro, o motor a combustão é acionado quando o nível da bateria alcança um índice muito baixo. Além disso, ele diminui a intensidade do ar-condicionado, tudo em função da melhora no consumo de combustível. Nesse modo, a marca afirma que o i8 roda até 47 km com um litro de gasolina.
O Comfort acelera até os 60 km/h com o motor elétrico. Ele prioriza esse tipo de propulsão em saídas de semáforos e ultrapassagens. Quando necessário, alterna os dois motores.
O modo Sport é o mais esportivo dos quatro disponíveis. Nele, os dois motores são acionados ao mesmo tempo. Para isso, basta empurrar a alavanca de câmbio para a esquerda. O quadro de instrumentos ganha coloração vermelha, enquanto o mostrador do nível de potência é substituído por um conta-giros.
O único opcional do i8 é o aparelho de recarga rápida, chamado de Wallbox, que custa R$ 7.450. Com ele, o esportivo pode ser recarregado completamente em 2h30. Pode até compensar, tendo em vista a demora da recarga nas tomadas convencionais. Com 110V são 16 horas, e em 220V, 8 horas.
Ao volante
Dar a partida no i8 é descobrir que não se trata de um veículo “qualquer”. Um som metálico é o sinal para o motorista saber que o veículo está pronto para sair. Nos primeiros metros, é estranha a sensação de estar em movimento e não ouvir o barulho de um motor.
Basta pressionar o acelerador com um pouco mais de vigor para ver o 1.5 turbo acordar. Trata-se da mesma base do motor que equipa o Mini Cooper, de código B38. Porém, além da potência maior (231 cv, contra 136 cv do Cooper), o propulsor do BMW tem ronco muito mais encorpado.
Se no Mini ele é tímido, no i8, mais lembra um V8. Sem exageros, o propulsor grita forte e alto, impondo respeito, e fazendo esquecer que trata-se de um motor compacto. O resultado não poderia ser outro, senão retomadas vigorosas, mesmo quando só o motor a combustão está funcionando. Nas ocasiões em que o elétrico é acionado, a entrega de força é imediata, isso porque os 25,5 kgfm de torque são entregues imediatamente.
Durante o teste, não foram percorridos trechos sinuosos, porém, em rápidas mudanças de faixa em rodovias, a direção do i8 se mostrou precisa. Por outro lado, em manobras urbanas, ela é bastante leve.
Ao contrário de outros esportivos, o i8 utiliza pneus estreitos pare um veículo desta categoria, de medida 195/50 na dianteira e 215/45 na traseira. As rodas são de 20 polegadas. Tudo para melhorar o consumo, diz a marca, já que pneus mais estreitos possuem menor área de contato com o solo, reduzindo o atrito. Ao volante, a diferença é praticamente imperceptível.
Centro das atenções
Se a mecânica do esportivo representa uma nova opção para veículos do gênero, o visual do i8 está anos-luz à frente de rivais, com um design exuberante, quase que extraído de um veículo dos filmes de Hollywood.
Na dianteira, o capô baixo, com faróis afilados e grandes fendas para entrada de ar, com elementos de plástico preto e azul, conferem ao esportivo um ar "invocado", mas ainda assim, característico da BMW.
A sensação é replicada olhando lateral e traseira do veículo. Esta última merece atenção especial, mostrando a personalidade do veículo ao dividir o conjunto ótico com uma passagem de ar. As luzes de seta ficam na porção superior, enquanto as demais luzes ficam abaixo.
Até as portas são diferentes: elas possuem abertura para cima, do tipo tesoura. Só assim para facilidar a entrada em um veículo tão baixo.
Com tanta "modernidade", o resultado não poderia ser outro. O i8 chama atenção por onde passa. É impossível passar despercebido rodando por Miami, cidade tomada por Ferraris e Lamborghinis. Durante o teste, houve até um homem que quase parou seu SUV no meio da rua para tirar uma foto.
Enquanto o i8 era fotografado, próximo a uma escola, um grupo de estudantes se aproximou e um deles perguntou qual era o motor do esportivo. Ao responder que se tratava de um híbrido com motor 1.5 turbo de três cilindros, a surpresa, quase decepção, foi evidente. Mas bastou citar alguns números do desempenho do esportivo para acalmar o estudante, que logo pediu para fotografar o carro.
Assinatura azul
Talvez, a maior ousadia no interior seja a disposição das saídas de ar-condicionado. A porção central é única, enquanto o passageiro possui duas seções com ajustes independentes. O restante da cabine tem visual mais conservador, similar ao dos demais veículos da marca.
Estão lá a tela multimídia bem horizontal com seletor no console para controlar as funcionalidades, os comandos do ar-condicionado digital de duas zonas, as teclas de memória para estações de rádio (ou quando o GPS está ativo, as rotas salvas), seletores de modo de condução e a alavanca de câmbio que lembra um joystick. Tudo muito parecido com o interior do hatch compacto Série 1, que custa 7 vezes menos.
Mas isso não significa que os materiais e a montagem sejam ruins. A combinação couro, aço escovado e plástico de boa qualidade é complementada por fileiras de LEDs azuis espalhadas pela cabine. Azul também é a cor dos cintos de segurança, do mesmo tom dos detalhes nos para-choques. Tudo isso marca a identidade visual da marca BMW i.
Aperto
Os maiores incômodos em relação ao i8 estão relacionados ao espaço. Em teoria, o modelo transporta até quatro pessoas. Mas quem viaja nos “bancos” traseiros, está submetido a uma sessão de tortura, tamanho é o aperto da cabine.
Os assentos são baixos, deixando o quadril abaixo da linha dos joelhos, enquanto o teto é baixo, deixando uma sensação desconfortável. A melhor recomendação é utilizar o espaço para abrigar as malas que não couberem no compartimento de bagagens.
O porta-malas é localizado na traseira, e acomoda míseros 154 litros. Se preferir, o endinheirado dono pode encomendar da Louis Vuitton um conjunto de quatro malas, que podem ser acomodadas tanto no porta-malas como no banco de trás. O preço? O kit é vendido por R$ 77,1 mil, mais do que um Honda Civic LXR.
Conclusão
Numa época de busca por eficiência energética e fontes alternativas de combustíveis, os esportivos acabaram tachados de “vilões”, com grandes, beberrões e poluentes motores a gasolina. Tentando reverter este quadro, marcas como Porsche e Ferrari apostaram suas fichas em novos superesportivos híbridos. Porém, ainda ostentam enormes motores gastões como principal fonte de energia.
A BMW fez o contrário com o i8. Colocou um motor elétrico, com autonomia suficiente para o cotidiano da maior parte das pessoas e “complementou” o esportivo com um pequeno, mas feroz motor 1.5 de três cilindros. O i8 não é o carro mais potente ou veloz já feito. Mas, ao mesclar um visual sem precedentes com um eficiente conjunto híbrido, o BMW entrará para o hall dos veículos que, no futuro, serão lembrados por serem vanguardistas.
Mteria Publicada por:
http://g1.globo.com/carros/noticia/2015/01/primeiras-impressoes-bmw-i8.html